|
A Polícia Civil prendeu três homens suspeitos de participar da chacina de sete pessoas, ocorrida na noite de sábado na fazenda N.S. Aparecida, em Doverlândia, no interior de Goiás. O primeiro a ser preso foi Aparecido Souza Alves, de 23 anos, que estava na casa dos pais, na mesma cidade. Ele confessou ter recebido R$ 700 de adiantamento e a promessa de ganhar R$ 50 mil após a execução do crime. Ex-empregado da fazenda, Alves confessou ter participado da chacina e denunciou outros integrantes da quadrilha. Ele entregou armas usadas no crime, um par de tênis e uma carabina pertencentes às vítimas.
Na chacina foram mortos Lázaro de Oliveira Costa, 57 anos, dono da fazenda e ex-presidente do Sindicato Rural de Doverlândia; Leopoldo Rocha Costa (22), filho do fazendeiro; Heli Francisco da Silva (44), vaqueiro da fazenda; Joaquim Manoel Carneiro (61 anos), amigo de Lázaro; sua mulher Miraci Alves de Oliveira (65); Adriano Alves Carneiro (24), filho do casal; e Tâmis Marques Mendes da Silva (24), noiva de Adriano.
Dois dos suspeitos de participação na chacina são ligados ao fazendeiro morto. "Alcides do Supermercado", que seria o futuro sogro do filho do fazendeiro. Leopoldo, e Célio Juno Costa da Silva foram presos no velório das vítimas, em Frutal, no Triângulo Mineiro. Alcides e Célio negaram participação no crime. Mesmo assim, e juntamente com Aparecido Alves tiveram suas prisões decretadas pela Justiça de Goiás. A transferência deles para a Delegacia de Homicídios em Goiânia (GO) foi feita de helicóptero nesta terça-feira (01).
A polícia ainda busca um quarto suspeito, "José "Ribeirãozinho, na expectativa de elucidar o caso. A delegada Adriana Accorsi, também diretora geral da polícia, pretende apresentar os presos e o desfecho do caso nesta quarta-feira. "Todas as pessoas indicadas por Aparecido estão sendo detidas, interrogadas e seus álibis verificados", disse a delegada. Segundo Adriana Accorsi, os depoimentos também estão sendo confrontados com os levantamentos periciais e material coletado no local da chacina. A delegada calcula que pelo menos quatro pessoas teriam participação efetiva no crime. "Seria quase impossível uma só pessoa fazer tudo aquilo", disse ela.
Frieza - Aparecido, que mora em Doverlândia mas trabalha em Brasília (DF), confirmou que seu pai - cujo nome não foi divulgado - tem uma gleba de terras próximas à fazenda. Porém, esse não seria motivo de rixa entre a família e o fazendeiro. Um vizinho disse que Aparecido já enfrentou e ameaçou atirar no fazendeiro, quando era seu funcionário, cerca de quatro anos atrás. "Ele é frio, calculista e vingativo, tipo psicopata bipolar mesmo", contou o vizinho.
Nos depoimentos, de acordo com um policial, Aparecido Alves não mostrou culpa nem remorso. E, embora assuma a ação, culpa outras pessoas e demonstra insensibilidade em relação às pessoas que foram por ele mortas. Uma pessoa da família disse que numa das brigas ambos apontaram armas. "É rixa, mesmo", disse à reportagem. "Ele é tão frio que em nenhum momento deixou a cidade após o crime". O sobrinho do dono da fazenda também teria desentendimentos com a família.
|