ALEXANDRE MARTINS
O delegado Marco Antonio Ferreira, responsável pelo caso, mostra fotos da casa.
Como o JJ Regional anunciou ontem, com absoluta exclusividade, o sangue que ´brotava´ da casa do Jardim Bizarro era da própria moradora e provinha de varizes em suas pernas, segundo informou a Polícia Civil, A aposentada, cujo nome ainda está sendo preservado, afirmou, ontem à noite, que não viu o sangue vazar de suas pernas e que não iria fazer alarde se soubesse da verdadeira origem. Ninguém da família desconfiou da hemorragia.
A história, porém, ainda é estranha. Que a aposentada pudesse apresentar um quadro de confusão mental, é normal. Mas ninguém da família desmentir o que a imprensa chegou a publicar como sendo um milagre, por mais de uma semana, é absurdo.
A confirmação de que o sangue era das varizes veio através de exame de corpo de delito e DNA da amostra de sangue. O delegado Marco Antonio Ferreira Lopes, responsável pelo caso, acredita que por um "surto" momentâneo, a moradora não percebeu que se tratava de seu próprio sangue.
O delegado afirmou que desde o início das investigações já trabalhava com esta hipótese. "Analisamos que havia maior quantidade de sangue no banheiro, em frente à pia, depois ele seguia pelo corredor e chegava até a sala. Estava claro que ela começou a sangrar no banheiro e terminou na sala."
O delegado Marco Antonio afirmou que não haverá processo contra a moradora, já que não causou dolo algum. "Percebi que a senhora usava meias grossas e que era diabética, além de tomar remédios para pressão. Desconfiei de alguma doença e fui me informar sobre hemorragias que não doem."
Para o delegado, a aposentada não quis aparecer nem usar o caso na mídia. "Uma sucessão de fatos desencadeou esta cobertura sensacionalista da imprensa. A Polícia já havia arquivado o caso." A moradora, seu marido e a filha passaram por exame de corpo de delito. "Nele, há comprovação de feridas recentes nas pernas." O DNA da aposentada mostrou que se tratava de seu próprio sangue. "Foi uma crise nervosa", afirmou o delegado.
Vida normal - A aposentada afirmou, ontem, que já está em tratamento vascular e que nem desconfiou da hemorragia. "Sou uma pessoa honesta para que eu iria fazer sensacionalismo sobre isto?" Ela disse ainda que não percebeu o sangramento. Sua primeira atitude foi chamar um padre. A aposentada disse que, agora, quer se esquecer do acidente e tocar a vida. Ela não irá procurar ajuda de psicólogos.
DA REPORTAGEM LOCAL
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