Por um mundo melhor: onde estiver, Amauri agora sorri
ONG Amigos do Amauri, que chega aos oito anos em 2009, realiza trabalho social idealizado por publicitário, atingido por uma bala dentro de um ônibus quando viajava para Jundiaí. Hoje, o grupo realiza atividades com moradores de baixa renda, em Ponunduva, Cajamar.
VALTER TOZZETO JR.
Roberta e Adilson Morethes são voluntários da ONG, coordenada pela esposa de Amauri
Era o dia 16 de março de 2001. O publicitário Amauri Antônio Mantovani Filho, 33 anos, estava sentado em uma das poltronas de um ônibus estacionado na rodoviária de Santos, com destino a Jundiaí. De repente, o veículo é invadido. Homens armados, conforme noticiado pelo JJ Regional dois dias depois, invadem o ônibus e atiram em um passageiro que estava à frente de Amauri - e que já havia sido perseguido na noite anterior. O motivo: vingança. O tiro acerta o homem e também o publicitário, inocente. Ambos chegam mortos ao hospital.
Toda esta história tem morada em um canto seguro das lembranças da publicitária Priscilia Queiroz, 34 anos, esposa de Amauri na época do acidente, e de todos os amigos que dele lembram, com carinho. "Hoje vejo que não era para ele ficar aqui. O Amauri era uma pessoa diferente, um espírito iluminado", diz Priscilia.
Do alto de seu 1,90 metro e 90 quilos, Amauri era um imenso coração. Tinha como sonho ajudar as pessoas, em especial, as mais carentes, que dormem em viadutos. "Ele queria levar sopa para as pessoas que moram embaixo da ponte. Gostava também de animais: se encontrava um perdido, queria trazer para casa", recorda a publicitária, que há dois anos casou de novo.
Mesmo tomados pela dor, o desejo de Amauri falou mais alto - e se mostrou o caminho para dar a volta por cima. Na missa de sétimo dia do publicitário, um de seus amigos mais próximos decidiu que algo tinha de ser feito. E não por vingança, claro. Pela vontade de concretizar os planos do publicitário. Nascia assim a ONG Clube dos Amigos do Amauri. A primeira reunião, em Santos - de onde veio o casal - ocorreu quatro meses após sua morte. "Éramos em 45 pessoas, que decidiram se unir e juntar cestas básicas para doar a entidades."
Durante algum tempo, duas sedes foram mantidas, uma no litoral e a outra em Jundiaí. Logo, o clube local foi tomando mais corpo. Em 2009, completa oito anos de atividade. "O que a gente tem é boa vontade. Ninguém aqui é assistente social. Queremos fazer algo pelas pessoas", explica um dos voluntários do clube, Adilson Morethes, 37, que levou a esposa, Roberta, para trabalhar com eles.
Com o passar dos anos, a equipe da entidade foi da cesta básica para a sopa, da sopa para festas em datas comemorativas. Há dois anos, encontraram tudo que queriam: uma comunidade que precisava muito de ajuda. Eles acolheram as 25 famílias moradoras em Ponunduva, bairro rural localizado em Cajamar, numa área na divisa com Jundiaí e Pirapora. Lá, mães solteiras e filhos vivem em barracos, em condições clandestinas. Geladeira, poucos têm. Fogão? Só se for de pedra.
Os amigos querem agora ter um galpão para as atividades e dar mais estrutura a este povo, perdido no meio do nada. Vão dar a eles sopas e cestas, orientar a se cuidar, evitar doenças, limpar a casa. Vão dar a vida tirada de Amauri - que, onde estiver, deve estar sorrindo por, enfim, ajudar os outros. "Questionava o porquê de ele ter ido embora. Hoje eu entendo o motivo", reflete Priscilia.
Vaga p/Serviço de Atendiment o ao Cliente/ e Vendas p/festa s e eventos. Necessita de conh ecimento em alimentações colet ivas ou restaurantes ou hoteis ou buffet entre outras áreas alimentícias. Enviar Curriculu m simone.oliveira@ideiasesabor .com.br
Gol G5 09, 1.0, completo, Gr.6, cinza vulcan, 28.000 Km, R$30.500,0. Particular (19)38 26-3114 (Vinhedo)