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CÓRREGO DO MATO

20/12/2009

"Este é o maior desafio da minha carreira"


ARQUIVO JJ Biólogo Álvaro de Almeida afirma que o córrego 'está na UTI'.

Biólogo Álvaro de Almeida afirma que o córrego 'está na UTI'. "Se deixarmos como está, ele vai morrer"

Ele foi o primeiro professor no Brasil a ensinar sobre o manejo da fauna silvestre - algo que, num passado recente, era pouco conhecido no País, apesar da importância. Também foi um dos responsáveis por conseguir salvar a Arara Azul, considerada praticamente extinta no Pantanal. A façanha rendeu muitos prêmios internacionais, inclusive um oferecido pelo governo holandês àqueles que ajudam na preservação global e do meio ambiente (uma espécie de Nobel da ecologia).

Nada disso, no entanto, parece tão mais desafiador do que a tarefa que o biólogo Álvaro Fernando de Almeida, 62 anos, terá em Jundiaí nos próximos 10 meses. O professor e doutor em Ciências Biológicas da Universidade de São Paulo (USP) será responsável por manter a vida do Córrego do Mato, na avenida 9 de Julho. "É o maior desafio da minha carreira, mas a cidade tem a oportunidade de mostrar ao mundo como se faz a conservação ambiental. Será um exemplo para todos", destacou Almeida.

O currículo invejável - que conta com atuações no Centro Agronômico Tropical da Costa Rica e num convênio de cooperação técnica entre Brasil e Alemanha - fez com que o especialista em conservação da natureza fosse contratado pela Fundação Municipal de Ação Social (Fumas) para trabalhar na recuperação do Córrego do Mato durante as obras de remodelação da avenida 9 de Julho.

Por 10 meses, o professor receberá R$ 75 mil. "Esse é o mais complicado da minha carreira, porque vamos mexer com todo o ecossistema atingido. Para mim, é como se o córrego estivesse na UTI. Se deixarmos como está, ele vai morrer."

Tarefa árdua - A partir de janeiro do ano que vem, Álvaro Fernando de Almeida espera contar com a ajuda de estagiários em Biologia da cidade para conseguir concluir a missão. "É um projeto inédito no Brasil e será um exemplo, um recado a dar para o  mundo. Jundiaí é uma cidade populosa, de média para grande, com um rio vivo no Centro. Nunca vi nada igual em lugar algum", destacou.

Para o biólogo, a grande atitude demonstrada após o anúncio da reformulação da avenida foi a Prefeitura ter voltado atrás na decisão de canalizar o córrego - o anúncio foi feito na gestão do ex-prefeito Ary Fossen e gerou muita polêmica. "Já foi um avanço grande, até porque sinto que o Córrego do Mato é um orgulho grande para a cidade, assim como a Serra do Japi." O especialista apontou, no entanto, que a última alteração feita pelo poder público no local gerou problemas ao corpo d'água.

"Uma análise preliminar mostra que o rio está morrendo. As mudanças causaram falta de oxigênio. O que teremos de fazer é recontruir o córrego, substituindo o solo, criar um leito de pedras com gabiões porque não foi correto da forma que fizeram." O projeto ambicioso de Almeida terá como principal ação a remoção dos organismos vivos existentes no córrego e também a eliminação total da poluição que, segundo o especialista, é jogada na água.

"Teremos de recolher a biodiversidade e levá-la à montante (de onde partem as águas). Depois, após muitas análises, faremos o repovoamento. Além disso, vamos identificar os pontos de poluição, mostrar de onde estão vindo e pedir que a Prefeitura impeça isso com rigor porque trata-se de uma agressão sem tamanho."


EMERSON LEITE

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