Tesser deu palestra aos jogadores antes nos últimos jogos
Com apenas oito pontos somados no Estadual e na penúltima posição na tabela de classificação, o Paulista resolveu apostar no emocional para escapar do rebaixamento. Para isso, decidiu utilizar a hipnose. Desde ontem, o terapeuta, neurolinguístico e hipnólogo Olimar Tesser integra a comissão técnica do Paulista. Antes dos jogos contra o Santos e Ituano, ele deu uma palestra para o elenco e agora vai trabalhar diariamente com os atletas.
"Vocês viram uma nova postura contra o Santos", afirmou, 'esquecendo-se' de dizer que, diante do Ituano, o time não jogou nada. Para fazer o Paulista escapar da queda, que a cada rodada mais parece inevitável, Tesser fez os atletas até caminharem sobre vidros. Isto aconteceu na véspera do jogo diante do Santos.
"Eu vou limpar o emocional dos jogadores para deixar o time mais estruturado. Não vou ensiná-los a jogar bola, mas vou mudar o comportamento. Andar sobre o vidro é uma metáfora. Quero mostrar que eles podem ir além e superar grandes desafios. Eles olham o vidro e mostram medo na hora. Mas quando atravessam, eles acreditam que podem fazer tudo." Para convencer os atletas a pisar sobre os vidros, Tesser usou a hipnose.
"Eu utilizo a hipnose a todo o momento. É uma maneira de você conversar com o seu inconsciente. Não é legal o fato das pessoas usarem como forma de chacota, é um trabalho motivacional", relatou. Os jogadores aprovaram a incomum iniciativa. "Nunca tinha feito isso, mas deu confiança. Vale tudo na situação em que estamos. Se ele falar para atravessar andando um mar, vamos fazer", disse o atacante Felipe Azevedo.
O volante Willian Rocha se mostrou incrédulo quando recebeu a missão de andar sobre o vidro, mas disse ter ficado satisfeito. "Parece coisa de outro mundo. Na hora em que atravessei, tirei um peso enorme das costas. Ele pediu para olhar um objetivo na frente e não olhar para baixo. A gente fica mais confiante."
Hipnose - Tesser trabalha utilizado o que ele chama de um triângulo e na filosofia do 'Eu Acredito'. "O triangulo é a parte técnica, física e emocional. Eu trabalho a pessoa e a motivo para ela acreditarem que pode. Quero desafiá-los (os jogadores) a buscarem coisas novas." Perguntado se o time iria escapar da degola sendo hipnotizado, Tesser respondeu:
"Não faço milagre, eu trabalho a pessoa a manter o interno independente do externo. O momento é ruim, mas eles estão vendo que podem mudar isso." O hipnotizador é ex-goleiro e começou a carreira no Palmeiras. Passou também por Comercial, Botafogo-SP, Oeste, Fluminense, Francisco Beltrão-PR, Grêmio Bagé-RS e Jabaquara. "Como fui atleta, fica mais fácil trabalhar com os jogadores."