Busca:
Sexta-Feira, 3 de Setembro de 2010

Capa

Enquete JJ

O que falta na educação dos jovens de hoje?

Estímulo dos professores em sala
Ajuda médico-psicológica
Leis que retomem a repetição de ano
Acompanhamento direto dos pais


Código Segurança:

Cadastre-se na Newsletter do JJ


    O que é RSS?
Principal » Leitura

Fonte tamanho pequeno Fonte tamanho médio Fonte tamanho grande

ENTREVISTA

3/5/2009

A bela arte de ´decifrar´ os vinhos


VALTER TOZZETO JR. Inês, uma das especialistas mais bem conceituadas do mundo, vive em Itupeva e trabalha em Jundiaí com vinhos raros

Inês, uma das especialistas mais bem conceituadas do mundo, vive em Itupeva e trabalha em Jundiaí com vinhos raros

Nascida e criada em Viseu, centro-norte de Portugal, mais propriamente em Silgueiros, no coração do Dão,  a enóloga Inês Cruz cresceu no seio de uma família que sempre demonstrou uma enorme paixão pelo vinho. Os  avós, e posteriormente o pai, sempre se dedicaram à arte de fazer vinho, não como meio de vida, mas sim como um gostoso hobby. Vivendo no Brasil há pouco tempo e trabalhando em Jundiaí, a especialista  recorda-se que  deixou a sua cidade natal  e  mudou-se  para Vila Real, onde foi admitida no Curso Superior de Enologia na Universidade de Trás-Os-Montes e Alto Douro (UTAD). O curso, fundado na década de 80 e, pioneiro em Portugal, foi fundamental para a evolução da vitivinicultura praticada até então naquele país. Em paralelo, realizou diversos estágios em algumas das mais renomadas vinícolas de Portugal no Douro (Quinta do Seixo - Sogrape), Dão (Quinta do Loureiro e Quinta dos Carvalhais - Sogrape) e Alentejo (Herdade dos Grous). Lá,  colocou em prática alguns conhecimentos teóricos aprendidos na Faculdade.

Em 2006, porém, no penúltimo semestre da Universidade, decidiu embarcar numa aventura rumo ao Novo Mundo. Foi para a Califórnia, onde realizou a parte prática da sua tese final de curso na Kendall-Jackson, vinícola localizada na região de Sonoma County. Mas a experiência trouxe outras experiências apaixonantes para a portuguesa. Como ela veio parar na Região? Um grande amor... Acompanhe os principais trechos da entrevista.
 
Jornal de Jundiaí Regional: Como foi sua experiência no Velho Mundo?
Inês: Após esta etapa e já decorrido mais um ano, parti rumo à Grécia, onde concluí os meus estudos em Enologia no T.E.I. of Athens (Instituto Tecnológico e Educacional de Atenas), contudo ainda me faltava escrever a tese final de curso... Regressei então à minha pátria, onde finalmente pude, com a orientação do amigo e Professor Dr. Luís Carvalho, concluir a minha tese sobre a incidência de Brettanomyces sp. em  mostos e  vinhos tintos (contaminação de origem bacteriana que causa o tão famoso odor de "suor de cavalo"), na UTAD. Ainda em Portugal e, já com o curso concluído, fui contratada como gerente da Enoteca Museu do Vinho, localizada em Tavira, sul de Portugal. Esta enoteca, marcada pelo seu ambiente rústico e acolhedor, possuía um restaurante e winebar, onde os clientes podiamdesfrutar de momentos relaxantes ao sabor de pratos e petiscos típicos da cozinha portuguesa, acompanhados de bons vinhos sugeridos e recomendados por mim.  Porém, a paixão de trabalhar diretamente no processo de vinificação, levou-me novamente em direção ao Novo Mundo, desta vez até a Austrália.


JJ: Como foi?
Inês: Chegada à "terra dos cangurus", visitei diversas vinícolas em Barossa Valley, bem como o espetacular National Wine Center (Centro Nacional do Vinho) em Adelaide, onde pude verificar desde então o enorme investimento que este povo tem desenvolvido em pesquisa na área de vinho. Contudo, o meu destino era ainda a zona ocidental deste continente. Voei, então, rumo a Margaret River, onde tive o prazer de trabalhar para a vinícola Howard Park, onde pude ainda colaborar na manufatura do surpreendente vinho Howard Park Sauvignon Blanc 2008, que foi recentemente incluso no Halliday´s Top 100 Wines for 2008 (Os 100 Melhores Vinhos de 2008), prestigiado concurso de vinhos australianos liderado pelo enólogo e crítico australiano James Halliday.

Ainda em 2008, fui chamada pela Cantina Terre Del Barolo, vinícola italiana localizada na Região de Piemonte, para colaborar na produção dos seus vinhos. Esta experiência foi uma das mais ricas para a minha formação, pois pude realmente, no sentido literal da palavra, "meter a mão na massa" no desenrolar de todo o processo de vinificação e estabilização de vinhos. A Itália é, sem dúvida, o país que mais aposta no desenvolvimento de equipamentos vitivinícolas, exportando o seu portfólio para todo o mundo.


JJ: E em Jundiaí, o que faz com o vinho?
Inês: Incentivada e apoiada pelo Thiago, meu namorado e motivo principal pelo qual me encontro hoje aqui no Brasil, fundei a Viavitis Cursos & Consultoria (www.viavitis.com.br).


JJ:  Você conhece de tudo sobre vinho. Como dar dicas para pessoas ´normais´ de como escolher e apreciar uma boa bebida?
Inês: Digo-lhe  que não sei tudo! Como em qualquer outra profissão, estamos sempre a aprender e isso é o que realmente nos faz crescer, não só em  nível profissional como em nível pessoal. Relativamente à sua questão, o que pode ser um "bom vinho" para mim, não será obrigatoriamente para outra pessoa. Os gostos variam de pessoa para pessoa!! Além disso, a própria cultura faz com que as pessoas estejam mais ou menos habituadas a determinadas características encontradas ou não num vinho, como por exemplo o perfil amadeirado de certos vinhos, uma determinada casta, ou até mesmo uma determinada região.


JJ: Um bom vinho é necessariamente um vinho caro?
Inês: Não necessariamente. Como disse anteriormente, os gostos pessoais diferem de pessoa para pessoa. Há pessoas que, como não estão muito habituadas a tomar vinho, talvez não saibam apreciar convenientemente um "bom vinho" que, muitas vezes, até tem uma ótima relação qualidade/preço, não sendo necessariamente um vinho caro.

JJ: O que pensa dos vinhos nacionais?
Inês: Os vinhos brasileiros estão cada vez mais a surgir no mercado vitivinícola. De fato, o Brasil produz ótimos vinhos, quando elaborados em condições apropriadas. Os vinhos provenientes do Rio Grande do Sul e de Pernambuco, no Vale de São Francisco são um grande exemplo disso.


JJ: E dos artesanais de nossa Região?
Inês: O conceito dos "vinhos" artesanais elaborados nesta Região é diferente, pelo fato de que as castas, ou seja, as variedades de uva, não são, na grande maioria das vezes, as mais indicadas para a elaboração de vinhos. Este fato já altera o conceito de vinho aplicado no Velho Mundo, mais concretamente na Europa, uma vez que a única  espécie autorizada para a manufatura de vinhos é a Vitis Vinífera, que possui um enorme leque de variedades, como é o caso das castas Cabernet Sauvignon, Merlot, Zinfandel, Syrah, Touriga Nacional e Tinta Roriz (variedades tintas) e Sauvignon Blanc, Riesling, Chardonnay, Alvarinho, Bical, Fernão Pires (variedades brancas), entre outras. Há, também, outra "tradição" praticada por estas bandas, que é a adição de açúcar de cana para a fabricação de "vinho suave", outra particularidade que só pude constatar aqui no Brasil. Em outras partes do mundo, o único açúcar encontrado no vinho é mesmo aquele proveniente da própria matéria-prima, a uva.  Creio, também, que as condições de terroir (interação dos fatores clima, solos e castas) desta Região não são as mais apropriadas para a elaboração de vinhos. Haveria a necessidade,  portanto, de se efetuar diversos estudos ou até mesmo uma seleção clonal das castas mais apropriadas para esta Região. Fato este que já se tem vindo a verificar bem próximo desta zona, em algumas vinícolas de Andradas, Minas Gerais.


JJ: As verticais de vinho estão virando mania. Simplificadamente, trata-se de provar um mesmo vinho de anos diferentes. É isso mesmo? Mas, para que serve uma vertical? É para verificar o efeito do clima em cada safra e as variações da passagem do tempo sobre os vinhos engarrafados?
Inês: Realmente este tipo de degustação está a tornar-se cada vez mais freqüente. As degustações verticais permitem-nos constatar diversos parâmetros, como é o caso do efeito do clima de cada ano nos vinhos e os efeitos do envelhecimento em cada garrafa.  O vinho é, realmente, um dos poucos alimentos que poderá ser consumido muitos anos após a sua fabricação. Porém, este néctar encontra-se em constante alteração, pelo que o momento exato de abrir uma garrafa é incerto. A única maneira de constatar se um vinho está ainda em bom estado (sem oxidação ou contaminações microbiológicas) ou imaturo, isto é, que ainda não atingiu o seu auge, que ainda não demonstrou verdadeiramente as suas potencialidades, é o ato de o provar. Nas degustações verticais poderemos então verificar a variação de temperaturas de um ano para o outro, o índice pluviométrico, no caso de anos que há mais incidência de chuvas ou até mesmo de um ano chuvoso ou com seca acentuada no momento da colheita das uvas. Todas estas variantes ficam, deste modo, evidentes numa degustação vertical.

Por esta razão, muitos dos tão afamados vinhos, como é o caso do vinho português "Barca Velha", são apenas elaborados em anos em que as condições edafo-climáticas são excepcionais, de modo a garantir a qualidade do vinho.

HANAÍ COSTA

Esta notícia foi atualizada em 1/5/2009 às 17:19

Imprimir Enviar para um amigo Comentário



 Bertholdi Imóveis




Modulinho

Fusca 74 bege, doc.ok, R$2.6
00,00. Tratar 6386-4014.

Palio EL 1.5, 96, branco,
gasolina, lindo, raridade. VE,
TE, alarme, 2 portas. Só R$8.
990,00. Preciso vender urgente
! 9622-8342 Vivo