RUI CARLOS
Jundiaí teve 23 dias de índice de ozônio acima do padrão
Relatório sobre a severidade do ar em cidades paulistas, levantado pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), aponta nível preocupante de ozônio em Jundiaí. Embora não seja considerada uma situação de alerta por técnicos da entidade, o índice deste agente poluente recebe a classificação de "saturado severo", ou seja, a cidade apresentou, em 2011, 23 dias em que a concentração de ozônio ultrapassou o padrão adequado.
A presença de indústrias pesadas e o aumento da frota de veículos são razões para a piora da qualidade do ar, já que o ozônio é formado por substâncias oriundas do setor industrial e da circulação de veículos. Segundo a pesquisa, a região de Campinas como um todo apresenta níveis de saturação de ozônio semelhantes ao da região do Grande ABC. Ainda assim, a gerente da Divisão de Qualidade do Ar da Cetesb, Maria Helena Martins, esclarece.
"Em Jundiaí, foram 23 dias de padrão excedido, enquanto São Paulo teve 96. Claro, a situação requer cuidado, mas não é que não se consiga respirar." De acordo com ela, a classificação da qualidade do ar diretamente ligada à saúde das pessoas é outra. "Este panorama dos poluentes orienta as políticas de controle para novos empreendimentos da Cetesb", disse, enfatizando que Jundiaí já tinha nível saturado sério no levantamento anterior.
Em relação a outros poluentes analisados, a cidade não apresenta saturação. Poeira e fumaça, que também causam poluição, continuam menores que em São Paulo. Anual, a pesquisa da Cetesb recolhe e compara dados de medição da qualidade do ar feitos em estações locais durante três anos.
Análise sustentável - Além do crescimento industrial evidente, a contribuição de veículos para o maior nível de ozônio tem relevância. Segundo dados do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), já noticiados pelo JJ Regional, a frota do município subiu 75% nos últimos dez anos.
Para o diretor de logística e infraestrutura do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) de Jundiaí, Gilson Pichioli, a saída para fomentar a sustentabilidade e um crescimento industrial adequado ao Meio Ambiente seria mais investimentos no transporte ferroviário. "Defendemos a utilização da ferrovia tanto para carga quanto para transporte de pessoas", disse. De acordo com ele, dados da matriz do Plano Diretor de Desenvolvimento de Transportes (PDDT) do Estado de São Paulo apontam que 93% da circulação de cargas são feitas por caminhões e 5% em vagões.
Em relação às indústrias pesadas, Pichioli defende a orientação. "Jundiaí apresenta duas procuras: a de empresas novas que se instalam aqui e a de outras que transferem suas unidades de grandes cidades para cá." Por isso, toda indústria instalada aqui passa pelo controle da Prefeitura, da Cetesb e recebe orientações de profissionais do Ciesp, quando procurados.
RAQUEL LOBODA BIONDI
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