MARCELO LANGUE
Em reunião, prefeito Miguel Haddad esteve com representantes das empresas de ônibus e do Sindicato
Depois de uma reunião na noite de ontem envolvendo o prefeito Miguel Haddad, representantes das empresas de ônibus de Jundiaí e do Sindicato dos Motoristas e Cobradores, a greve que estava prevista para acontecer a partir de segunda-feira, paralisando o transporte coletivo da cidade, está praticamente descartada.
Os empresários melhoraram em 1% a proposta de reajuste, passando para 7% o aumento, mas a decisão do juiz do Trabalho da 15ª Vara de Campinas, exigindo que 70% da frota continue circulando, desanimou os sindicalistas. De acordo com o secretário geral do sindicato, Reinaldo Dias Rabelo, mantendo os 70% exigidos, o movimento fica enfraquecido.
"O juiz já determinou que, se houver paralisação, às 15 horas ele faz o julgamento da greve. E se houver uma paralisação acima dos 70%, os prejuízos podem ser muitos, como multa para o sindicato e o desconto dos dias parados para os trabalhadores", frisou.
Assembleias - O sindicato já convocou os trabalhadores para duas assembleias, uma às 9h e outra às 15 horas de hoje. Nelas, vão apresentar a nova proposta, de 7% de reajuste, PLR de R$ 380 e vale-refeição de R$ 10. "Não era o que a categoria queria, mas com a possibilidade de a greve ser julgada ilegal, o trabalhador vai ter de escolher", afirmou o presidente do sindicato, Laurindo Lopes, ao sair da reunião com o prefeito e os empresários.
Segundo a Prefeitura de Jundiaí, em nenhum momento houve discussão a respeito de aumento da tarifa de ônibus, que hoje é R$ 2,90 na cidade. O prefeito Miguel Haddad declarou que teve de intervir na negociação porque poderia haver prejuízos para a população, e por isso convidou empresários e sindicato para conversar e tentar negociar.
"Mobilizamos as duas partes para rever as propostas porque poderia haver prejuízo para a população. Queremos só que a proposta seja boa para as duas partes e, principalmente, para o usuário de transporte".
Negociações - As negociações entre os representantes dos motoristas e cobradores e as empresas de ônibus começaram no mês de maio, quando os trabalhadores apresentaram uma pauta de reivindicações de 6% de reajuste e mais a reposição da inflação, de 5,5%. Além disso, os trabalhadores queriam vale-refeição em R$ 12. Até a segunda-feira, a proposta das empresas era de reajuste de 5% e vale-alimentação de R$ 10.
Na terça-feira passada, em duas assembleias, os trabalhadores optaram pela paralisação. O aviso de greve para a partir de segunda-feira foi distribuído na mesma data e as empresas levaram a questão à Justiça do Trabalho, em Campinas. O juiz determinou que 70% da frota fosse mantida.
ROBERTA DUTRA
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