DIVULGAÇÃO
Tratamento busca agilidade na cura da doença
Ao menos 19 tipos de tumores malignos, como os de pulmão, pele, fígado, laringe, bexiga e leucemias podem estar relacionados à ocupação do paciente. A informação está na publicação "Diretrizes para a Vigilância do Câncer Relacionado ao Trabalho", lançado pelo Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA). O objetivo é alertar sobre a causa de certos tipos de câncer e reavaliar as políticas públicas dos ambientes de trabalho insalubres.
Os tumores de pulmão, pele, laringe, bexiga, alguns tipos de leucemias, entre outros, fazem parte do levantamento, que mostra desde as substâncias mais associadas ao desenvolvimento de tumores malignos, como o amianto, classificadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como cancerígenas, até produtos aparentemente inofensivos, como poeiras de madeira e de couro, além de medicamentos, como os antineoplásicos.
De acordo com a responsável pela Área de Vigilância do Câncer Relacionado ao Trabalho e ao Ambiente do INCA, Ubirani Otero, a determinação da causa do câncer com o ambiente profissional é subdimensionada pela dificuldade de se estabelecer uma relação entre os dois na consulta médica. "Raramente o médico pergunta ao paciente qual a ocupação dele. É importante que os profissionais da saúde questionem aos doentes diagnosticados com câncer qual foi a rotina laboral que exerceram por mais tempo em suas vidas. Só assim será possível identificar e registrar os casos de câncer relacionados ao trabalho no Sistema Nacional de Agravos do Ministério da Saúde (Sinan)", diz a epidemiologista.
Os benefícios de auxílio-doença por câncer (acidentário e previdenciário) concedidos pela Previdência Social, em 2009, foram 113.801, e apenas, 0,66% registrados como tendo relação ocupacional. A publicação do INCA vem atender à demanda do Ministério da Saúde (MS), que identificou a carência de informações que permitam encontrar os fatores de risco de câncer relacionado ao trabalho, bem como as possibilidades de estabelecer um sistema de vigilância do câncer dos trabalhadores expostos e dos agentes cancerígenos.
Prevenção - De acordo com as diretrizes do INCA, para reduzir o número de tumores malignos relacionados com exposições ocupacionais, a principal estratégia consiste na eliminação ou redução da exposição aos agentes causadores. O primeiro passo para prevenir o câncer deverá ser a identificação de agentes causadores do aumento do risco para a doença.
A legislação prevê alguns instrumentos capazes de auxiliar nessa identificação, como a ficha de informação de produtos químicos, a catalogação das empresas com a atividade ou uso de agentes cancerígenos, o reconhecimento e a avaliação de risco nos ambientes de trabalho, além do controle da exposição aos fatores de risco. Os principais grupos de agentes cancerígenos relacionados ao trabalho incluem os metais pesados, agrotóxicos, solventes orgânicos, formaldeído e poeiras (amianto e sílica). A via de absorção (respiratória, oral ou cutânea), a duração e a frequência da exposição aos agentes nocivos influenciam a toxidade, mas esses dois últimos fatores não são fundamentais para o desencadeamento da doença. "Não há níveis seguros de exposição a agentes cancerígenos. É fundamental que sejam adotadas ações para reduzir o risco dos trabalhadores", explica a Ubirani.
Entre as sugestões da publicação está o estabelecimento de prioridades para afastar o trabalhador desses agentes. "A prioridade da prevenção é a remoção da substância cancerígena do processo das atividades exercidas pelos trabalhadores. Enquanto isso não acontece, as recomendações são: evitar a exposição e gradualmente eliminar o uso desses agentes, restringir o contato com cancerígenos a determinadas atividades, com a adoção de níveis mínimos de exposição, associado ao monitoramento ambiental e redução da jornada de trabalho", completa Ubirani.
DA REPORTAGEM LOCAL
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