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7/6/2009

Um herói muito especial


ALEXANDRE MARTINS Esperança - Rui quer competir, agora, no México

Esperança - Rui quer competir, agora, no México

"O avião subiu e depois virou assim. E depois fez uma curva." Assim, fazendo das mãos a aeronave, Rui Chaves Carneiro, 28 anos, descreve sua viagem para o torneio de tênis Special Olympic, na China, em 2008. Portador de autismo,  uma alteração que afeta a capacidade da pessoa comunicar, estabelecer relacionamentos e responder apropriadamente ao ambiente, Rui demonstra, através de sua vasta experiência nos esportes, que tem muita capacidade.

Na mesa do Centro de Aprendizagem de Autistas em Jundiaí (Caju), estão dezenas de medalhas e os vários troféus conquistados pelo jovem esportista nos torneios disputados. A esperança da mãe, Izilina Maiolini Chaves, é que o filho traga mais uma medalha, aumentando ainda mais a quantidade e o orgulho, que ela faz questão de mostrar, toda hora que fala das capacidades do filho. "Eu sei da capacidade e da força de vontade dele. O problema é o patrocínio."

Izilina explica que não tem condições financeiras para bancar a passagem para o filho disputar o campeonato no México, em agosto. "A passagem de ida e volta custa cerca de 2 mil dólares. Infelizmente eu não tenho condições de pagar. E o Rui está sem patrocínio". Ela lembra que as outras viagens internacionais foram patrocinadas, mas essa, não. "Em 2007 ele foi chamado para disputar este torneio nos Estados Unidos, mas como não teve patrocínio, não foi." Já no ano passado, a história foi diferente. "Ele conseguiu patrocínio e foi disputar o torneio." Mas desta vez, caso não consiga um patrocinador, a história de 2007 se repetirá. A mãe, não querendo ver o filho sofrer, olha para ele e pergunta: "Rui, se você não for não vai ficar triste, né?" Ele, não tirando os olhos das medalhas (e provavelmente sonhando com a próxima), responde: "Eu quero ir para o México. E quero ir para ganhar".

Patriotismo - Com um agasalho nas cores verde e amarelo, a mãe do atleta relata que ele sempre teve orgulho de ser brasileiro. "Todos os lugares que ele vai faz questão de dizer que é brasileiro e, principalmente, jundiaiense." E completa, com os olhos cheios d´água: "Eu tenho esperança que ele vai conseguir o patrocínio e, assim, poder representar cada jundiaiense nesse campeonato."

As demais despesas com a viagem, como estadia e alimentação, serão bancadas pela Special Olympic,  uma organização internacional criada para apoiar pessoas portadoras de deficiências intelectuais, desenvolver a sua autoconfiança, capacidades de relacionamento interpessoal e sentido de realização. A mãe do jovem chegou a pedir ajuda à Prefeitura. "Eles bancam viagens que o Rui faz pelo Brasil, além das inscrições nos torneios, mas dessa vez disseram que a Prefeitura não disponibiliza recursos do município para esse fim."


Determinação - As conquistas de Rui só puderam acontecer graças à luta da mãe para que o filho pudesse desenvolver seus talentos. Tenista há 17 anos, Rui não demonstrou, em nenhum momento durante a entrevista, que pensa em desistir do campeonato. No Caju, Rui faz aulas do ensino fundamental. "Ele vem todos os dias e tem toda assistência psicológica e emocional", explica a psicóloga Vera Lúcia Gomes de Campos. Ela, em parceria com outra psicóloga, Alice Lacerda, fundaram a entidade. "Infelizmente não temos condições de atender mais crianças (apenas duas pessoas são atendidas). E existem oito na fila, esperando".

Rui é o único atleta federado especial do Estado de São Paulo. Ou seja, ele faz parte da Federação Paulista de Tênis e é o único atleta com deficiência que joga com os demais, que não apresentam deficiência. E ele avisa: "Vou fazer faculdade de educação física." Sem dúvida, todos que o conhecem não duvidam disso. Quem quiser ajudar o jovem atleta a conquistar mais essa medalha para Jundiaí, pode entrar em contato pelos telefones (11) 4521-2248 (Caju) ou 9901-2264 (Izilina).

TERESA ORRÚ

Esta notícia foi atualizada em 6/6/2009 às 19:12

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