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CARREIRA

6/2/2010

Promoção por mérito


ALEX M. CARMELLO Placa de trânsito encoberta, em rua do Parque do Colégio, parece até proposital para deixar motoristas confusos

Placa de trânsito encoberta, em rua do Parque do Colégio, parece até proposital para deixar motoristas confusos

Tempos atrás, o São Paulo Futebol Clube contratou o jogador Ricardinho, que havia sido um dos destaques do Corinthians anos anteriores. O salário dele era muito maior do que os daqueles que já estavam no time há mais tempo. Isso provocou descontentamento generalizado. Há esportes - e o futebol é um deles - no qual a força do coletivo é imprescindível.

Isso significa que se todos não tiverem o mesmo objetivo, dificilmente sairá coisa positiva. No caso acima, vários jogadores resolveram boicotar o Ricardinho ou ainda deixando que ele resolvesse tudo, pois era quem ganhava muito acima dos outros. Resultado: nem o São Paulo nem o Ricardinho foram bem-sucedidos. Agora, a Secretaria de Estado da Educação de São Paulo vai fazer o mesmo com os diretores, supervisores e professores.

Nos dias 29 de janeiro, 1 e 2 de fevereiro, esses profissionais da educação fizeram uma prova com o título de promoção por mérito, onde apenas 20% terão seus salários elevados em 25%. Se todos os profissionais atingirem a nota máxima na prova, mesmo assim somente 20% serão promovidos. O que vai acontecer com as escolas, com duas "categorias" de professores?

Uma coisa é certa: os profissionais tiveram que estudar muito para estar entre os contemplados. Mas não podemos nos esquecer que esses contemplados serão apenas 20%. Porém, isso não é garantia de que haverá mudança na aprendizagem do aluno, que deve ser o principal motivo de toda política educacional.

Além desse disparate, temos outra agravante: a grande maioria dos estudiosos da educação, inclusive os indicados na bibliografia do referido concurso, são contra a avaliação meritocrática, quando não considera outros fatores além da prova em si ou quando o valor da prova é desproporcional ao de outros elementos.

A secretaria quer que os professores saibam que nenhuma avaliação deve ser meritocrática, mas a estabelece como critério de promoção. Uma coisa é certa: falta compromisso sério com os profissionais da educação no Estado de São Paulo.

Eliezer Pedroso da Rocha é Mestre e doutorando em educação pela Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo. E-mail: milesere@uol.com.br.

Esta notícia foi atualizada em 5/2/2010 às 20:33

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