Motociclista espera com tranquilidade a chuva passar, na rua Baronesa do Japi, área central de Jundiaí
Comentei há dias que um novo selo verde surgiu, agora chamado "Life". Esse nome vem da expressão "Iniciativa Duradoura pela Terra", em inglês. É destinado a estimular as empresas a incorporar a conservação de florestas e da biodiversidade na estratégia de seus negócios. Já não é suficiente a gestão ambiental, o controle da poluição e a redução no desperdício de água.
Há de se partir da premissa de que as áreas naturais são responsáveis pela prestação dos chamados serviços ambientais. Produção de água, equilíbrio do solo e do clima, sequestro de carbono da atmosfera, polinização da lavoura são préstimos gratuitos e naturalmente usufruídos por toda atividade lucrativa. Sem eles, os negócios seriam inviabilizados. Por que não compensar a natureza por esse dom gracioso e espontâneo?
Cada dia deste novo século está a comprovar que a empresa depende da salvação das áreas naturais. Por isso é urgente evoluir no atual modelo de gestão ambiental. É o que propõe o selo "Life", cuja metodologia foi desenvolvida pelo Instituto Tecnológico do Paraná-TecPar. As três empresas em processo de obtenção do selo no Brasil são a Poligraf, unidade gráfica do Grupo Positivo, a fabricante de cosméticos O Boticário e a MPX Energia, de Eike Batista.
Mas para isso é necessária a prévia auditoria por organismos independentes e com validade de cinco anos. A certificação Life é o coroamento de um processo que já se desenvolvera nas empresas ecologicamente corretas e que haviam obtido selos como o ISO 14001, destinado a reconhecer compromisso ambiental, FSC e Cerflor, comprobatório da procedência dos produtos utilizados no processo de fabricação.
Empresa ambientalmente correta, além do ISO 14001, deve também se interessar pela obtenção da ISO 14064, que estabelece normas para gestão das emissões de CO2 dentro de seus ambientes. Urgência evidenciada pelos sinais extremos emitidos pelo Planeta em agonia. Não se enganem os políticos.
O povo está a aprender na dor e no sofrimento que o maltrato da natureza custa vidas e pode interromper - mais breve do que se pensou - a aventura humana sobre a Terra. Os detratores dos recursos naturais estão com os dias contados.
José Renato Nalini é Desembargador da Câmara Especial do Meio Ambiente do Tribunal de Justiça de São Paulo e autor de "Ética Ambiental", editora Millennium. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br. Visite o blog no endereço http://renatonalini.wordpress.com e dê sua opinião sobre seus artigos.