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DESENVOLVIMENTO SOCIAL

29/4/2008

A 'importância dos idosos'


ALEX M. CARMELLO Na falta de uma lixeira, já diz o velho ditado: 'Não tem tu, vai com tu mesmo'

Na falta de uma lixeira, já diz o velho ditado: 'Não tem tu, vai com tu mesmo'

"As Secretarias de Estado da Educação e do Desenvolvimento Social fecharam uma parceria para que todos os alunos dos ensinos fundamental e médio recebam informações e aprendizado sobre a chamada terceira idade. Ainda este ano, os professores da rede pública estadual serão capacitados para tratar desse assunto com os alunos. O objetivo é que os estudantes aprendam a valorizar a terceira idade e saibam sobre a importância dos idosos para a sociedade". Cabe um esclarecimento: idoso é sinônimo de aposentado. E aí, a primeira pergunta que se deve fazer é a seguinte: governo é sociedade? Se for, já surge aqui uma primeira contradição. Ninguém se importa menos com os idosos e os aposentados do que o próprio governo. Está aí um governo que, por suas ações - ou melhor, omissões - prova que não respeita os aposentados. Apesar disso, e disso conscientes, e por estarmos sempre dispostos a ajudar, a colaborar (essa eterna mania de educador!!!), gostaríamos de sugerir um conteúdo programático para esse treinamento.

Sugerimos que se exija de todos os professores a leitura das obras de Jonathan Swift, escritor inglês do século 17, autor de "As viagens de Gulliver". Dessas obras, em especial o texto em que ele descreve a solução fantástica que os habitantes de uma ilha imaginária descobriram para acabar com a pobreza: matar os pobres. Algo semelhante ao que se faz com os idosos e os aposentados no Brasil, só que aqui a coisa é mais sutil, mais disfarçada. Tratar o idoso e o aposentado daquela forma seria cruel, sem dúvida, mas também mais sincero e menos demagógico. Hoje, na verdade, parece que a maneira mais segura de melhorar a aposentadoria é morrer mais cedo.

O governo fala da importância dos idosos para a sociedade, ao mesmo tempo em que os exclui dos reajustes salariais e dos benefícios das reestruturações de carreiras, o que concorre para o seu crescente e contínuo empobrecimento. No magistério, os aposentados foram excluídos do reajuste salarial, do bônus e de todas as gratificações: por atividade de magistério, por trabalho educacional, de função e de representação. Em resumo, nega-se aos aposentados o direito a uma vida com um mínimo de qualidade. O governo que enfatiza a importância da discussão das questões sobre o envelhecimento é o mesmo que oferece aos aposentados um péssimo serviço de saúde, obrigando-os a correr para os caríssimos e proibitivos planos de saúde privada.  O governo que ressalta a importância da valorização da terceira idade é o mesmo que faz o possível e o impossível para impedir ou adiar a aposentadoria dos educadores.  É preciso que esse governo seja lembrado de algumas premissas básicas. Os aposentados não querem apenas reconhecimento;  eles exigem respeito aos seus direitos. Os aposentados não querem ser valorizados em cursos e treinamentos; eles exigem respeito no seu dia-a-dia. Os aposentados não querem privilégios;  eles exigem respeito à sua dignidade.

Enquanto essas premissas não se concretizarem, os idosos e os aposentados agradecem, mas dispensam aulas e palestras sobre sua importância, assim como as parcerias para capacitação sobre a terceira idade. Porque, nesse contexto, sabem eles que tudo isso é mera demagogia.  Os aposentados sabem muito bem que, na verdade,  eles não são importantes para o governo, nem são respeitados por ele. Essa perfumaria que o governo agora alardeia - uma parceria para tratar da importância do idoso - não passa de demagogia barata.  Todos os recursos que serão desperdiçados com esses treinamentos, aulas e materiais deveriam ser convertidos em proventos, gratificações e bônus para os aposentados. Teriam melhor destino e uso. E, como um exemplo vale mais que mil palavras, com essa atitude o governo estaria mostrando respeito aos idosos, aos aposentados, reconhecendo e valorizando a sua importância social.

Egle Aparecida Picolo Balançuelo é professora e presidente da Udemo (Sindicato dos Diretores e Especialistas em Educação do Magistério Oficial do Estado de São Paulo) - Regional de Jundiaí

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