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SUBORNO/DF

5/2/2010

Arruda comandou operação, diz jornalista


Testemunha do esquema de arrecadação e pagamento de propina no Distrito Federal, o jornalista Edson Sombra acusou nesta sexta-feira (05) o governador José Roberto Arruda (sem partido) de comandar uma operação para tentar suborná-lo. Em entrevista à imprensa, Sombra afirmou que pelo menos quatro emissários foram usados por Arruda para tentar convencê-lo a desmentir as denúncias feitas por ex-secretário de Relações Institucionais Durval Barbosa à Polícia Federal (PF). "Tudo versava numa tentativa de me cooptar para mudar meu depoimento", disse Sombra.
 
Segundo ele, emissários do governador Arruda começaram a procurá-lo em 8 de janeiro de 2010, entre eles o deputado distrital Geraldo Naves (DEM-DF) e o secretário de Comunicação do Distrito Federal, Welligton Moraes. À Polícia Federal, Sombra apresentou um bilhete escrito por Arruda que lhe foi entregue por Naves. O último enviado de Arruda foi Antonio Bento, que integra o Conselho Fiscal do Metrô do Distrito Federal e ocupa a gerência comercial do jornal de propriedade de Edson Sombra.
 
Flagrante -
"Eu só resolvi conversar com o (Antônio) Bento sobre este assunto depois que eu tirei o Geraldo Naves, pedi para que fosse o (Wellington) Moraes e depois o governador do Distrito Federal botou o Bento", explicou Sombra, que procurou a Polícia Federal em 21 de janeiro. Com a PF, Sombra montou o flagrante de Antonio Bento, que está preso no Complexo Penitenciário da Papuda, para onde foi transferido depois de prestar depoimento à Superintendência da PF. Bento foi preso após entregar uma sacola com R$ 200 mil para Sombra em um restaurante no bairro Sudoeste de Brasília. O dinheiro era destinado ao suborno.

O deputado Geraldo Naves confirmou que o bilhete entregue ao jornalista Edson Sombra foi, de fato, escrito pelo governador Arruda, mas negou que faça parte de uma tentativa de suborno. Segundo Naves, que admitiu a entrega do bilhete a Sombra em nome do governador, o recado de Arruda tinha o objetivo de tranquilizar o jornalista, que temia uma queda no número de anúncios publicitários e de verba de patrocínio em seu jornal depois do escândalo denunciado por Durval Barbosa. "O bilhete é verdadeiro, mas não se trata de suborno. Depois da crise, Sombra teve medo de perder patrocínio. Nunca recebi proposta para subornar alguém", disse Naves.

Esta notícia foi atualizada em 5/2/2010 às 19:09

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